O barulho do tapa que levei no rosto ecoou na sala quase vazia. Minhas tentativas de desamarrar os nós da corda que me prendiam a cadeira já eram totalmente fracassadas. Meus pés, nem pensar. Não tinha mais jeito.

– Por favor. – Supliquei, de olhos fechados. Não tinha ideia do porquê ela estar fazendo aquilo comigo. Afinal, quem era ela? Talvez só mais uma psicopata louca querendo matar alguém, talvez alguma pessoa da minha escola…. só mais uma. Ela riu sem hunor algum. Sacou um chicote de borracha da saia e me golpeou na barriga. Dei um grito de dor e ela me bateu no rosto novamente, mandando-me calar a boca. – Por favor. Eu tenho um cachorro. Eu tenho…. eu tenho uma namorada. E ela é mais importante do que tudo. Eu tenho uma familia. Eu tenho duas irmãs, pai e mãe. Eu não posso deixar tudo assim, sem explicação. – No momento em que pronunciei a palavra familia ela arregalou os olhos e olhou fixamente para parede, como se aquilo a tivesse atingido de algum modo. Balançou a cabeça, como se quisesse jogar os pensamentos fora.

De repente via um revólver na minha testa. Da onde ela tinha tirado isso? Só mais uma, só mais uma, pensei. Não, uma menina com cara de tão inocente não poderia fazer isso nunca, nem mesmo nos meus sonhos.

Familia? – Ela me olhou com um sorriso torto, ainda com o revólver em minha testa. – Falou a palavra certa. _ Ouvi um tiro.

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