Odd

A vi rindo com as amigas em uma rodinha. Ela jogou o cabelo para trás e parecia ter me golpeado.

– Para de babar, apaixonado! – Meu amigo me deu um tapa na cabeça e eu sorri, sem desgrudar os olhos dela.

– Como você pode não se apaixonar por uma garota dessas?

– Não vejo graça nela. – A questão é que minha garota era diferente. Não era loirinha igual as outras – era morena. Não tinha cabelo liso – era cacheado. Não tinha uma argola na orelha – tinha, mas no nariz. E ele ainda tinha  coragem de dizer que ela não tinha graça? Apenas neguei com a cabeça, indignado.

Decidido, fui falar com ela. Eu precisava fazer alguma coisa.

– Oi!

– Oii! – Ela me deu um abraço e apertou minhas bochechas, com força. – Oun, que tchuco.

– Ai eu sei. – Rimos. _ Olha, eu preciso falar contigo. – Ela assentiu e fez um sinal para as amigas, soltando o cabelo de um coque frouxo. Começamos a andar e eu abri a boca para falar, mas ela tropeçou e caiu em cima de mim.

– Oh meu Deus, desculpa desculpa! – Ela tirou minhas mãos de sua cintura, toda desajeitada. Ri levemente, mais por estar sem graça do que porque foi engraçado.

– Magina linda. – Ela sorriu vermelinha. – Escuta, eu preciso mesmo falar contigo.

– Sou toda a ouvidos. – Sorri e a peguei pela mão, puxando-a para um banco. Ela sentou, cruzando as pernas e voltando a prender o cabelo no coque frouxo que eu tanto gosto.

– É assim… eu acho que você é muito diferente. Diferente de todas essas garotas pares. Eu acho que talvez você seja…

– Ímpar. – Ela falou junto comigo. Ri e continuei.

– E é isso que me leva a gostar tanto de ti. Eu to mesmo… apaixonado. – Ela sorriu, olhando para o horizonte.

– Como se eu não estivesse tão apaixonada quanto você. – Um sorriso enorme apareceu em meu rosto, e me senti feliz, de verdade. Jamais estive tão feliz quanto estava naquele momento, com aquela garota. Ela chegou muito perto de mim, mas nesse segundo o sinal tocou. Ela sorriu, sem se distanciar e disse:

– Vejo você na saida, número ímpar.

E me deu um beijo no canto da boca, deixando um menino sorrindo sozinho no banco frio do colégio.

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