TAXI!

Bufei e lhei para rua, cansada de esperar por um taxi. Qual é, cadê os taxis amarelinhos de Nova York? Dobrei meus braços já cansados de ficarem esticados e olhei ao meu redor. Um outro ser – nada mal por acaso – também procurava por um táxi impacientemente. Ótimo. Era tudo o que eu precisava: concorrência. Sorri, meio irônica, e ele sorriu mais irônico ainda para mim.

Um táxi passou. Sai correndo e abri a porta do carro desesperadamente, sorrindo quando percebi que eu havia entrado no carro e finalmente conseguiria ir para casa.

Falei meu endereço e ouvi outra voz falando junto comigo. O taxista ficou com uma expressão confusa e eu olhei para o lado. Ele não tinha feito aquilo.

“Oi. Bom, eu entrei no táxi primeiro, então você poderia por favor sair do carro?” Tentei ser o mais simpática possivel.

“Oi. O que acontece é que eu entrei primeiro, então você é quem devia sair.” Ele sorriu falsamente.

“Que pena. Porque eu não vou sair.” Ri ironicamente, rolando os olhos. Vi seu rosto chegando mais perto. Poxa, o poder da sedução não funcionava comigo.

“Ah vai sim.” Ele falou com o rosto a centimetros do meu, lentamente e irrestivel. Ele era mesmo muito bonito. Mas isso não ia me fazer desistir. Decidi entrar para brincadeira e cheguei o meu rosto mais perto ainda, vendo ele sorrir como se tivesse me ganhado.

“Não vou.” Falei tão lentamente quanto ele. O garoto se jogou no banco, me fazendo rir. O taxista virou para trás e perguntou, confuso:

“Para onde eu vou, então?” Falei rapidamente o meu endereço e ele deu a partida no carro. Olhei para ele e gargalhei.

“Você perdeu.” Ele rolou os olhos.

“Meu nome é Danny, afinal.”

“Rafa.” Sorri pela primeira vez verdadeiramente em cerca de 3O minutos.

Depois de algum tempo o carro finalmente parou. Achei minha carteira dentro da bolsa e peguei o dinheiro do taxista, agradecendo-o e pedindo desculpas por ter feito ele ver toda aquela discussão. Minha mão procurou pela bolsa no banco e não a achou.Virei para Danny, que sorria torto com minha bolsa em suas mãos.

“Me devolve minha bolsa. Agora.” Ele riu e apenas negou com a cabeça. Quando me curvei para pegá-la de suas mãos, ele saiu do carro, batendo a porta com força. Abri a porta do meu lado e sai correndo atrás dele, pedindo a minha bolsa de volta.

Danny gargalhava e continuava correndo. Decidida a pegá-la, corri mais rápido do que o normal e consegui alcançá-lo, pulando em suas costas. Ele parou de correr, segurando minhas pernas para que não caisse.

“Você corre mais rápido do que pensei.”

“Nunca me subestime.” Estiquei meus braços para tentar pegar minha bolsa e, numa fração de segundos, eu me vi com as pernas ao redor do tronco de Danny e minhas mãos em seu pescoço. Seus braços seguravam minha cintura e nossos rostos estavam a milimetros de distância.

“Ah, tanto faz.” Ele me beijou, de súbito. Retribui o beijo, afinal, ele era legal e muito bonito.

“Uau, que menino mais meigo esse que eu fui conhecer.” Rimos e ele voltou a me beijar.

Eu, no colo dele. No meio de uma das ruas mais agitadas de Nova York.

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