O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo

A música ecoava na casa incrivelmente alto. Pessoas balançavam seus corpos e se agarravam (literalmente) ao meu redor. A casa tipicamente londrina estava cheia de meninos e meninas, e, bem… meninos que podemos chamar de meninas.

Olhei em minha volta e vi meninas vestidas iguais: aquela saia curtinha e uma blusa quase cobrindo o cinto – vulgo saia – e saltos realmente altos. Os cabelos eram também iguais: loiras, smpre, e o cabelo jogado suavemente para o lado. A verdade era que de costas, era impossível saber quem era quem.

Olhei para mim mesma. Usaca uma calça jeans clara e justa, uma blusa da Hurley e meu all-star amarelo total  e completamente destruído.

Bufei, pedindo licença para minhas amigas que dançavam, se divertindo. Elas provalvemnte não ouviram o meu pedido, mas saí mesmo asssim. Eu não aguentaria nem mais um segundo naquele lugar.

Comecei a andar em direção a loja de bolo de chocolate da minha mãe. Estava definitivamente puta, e se algo ia me animar, com certeza seria aquele bolo.

Andei mais um pouco e senti passos se sincronizando aos meus. Girei meu corpo e vi Dan, meu amigo. Ele estava incrível aquela noite. Ele era lndo.

– Oi, Rafa. Por que foi embora da festa? – Ele me perguntou com um sorriso.

– Quer saber, Dan? Vou falar pra você. Eu não aguento mais. Todas aquelas meninas são idênticas. E mesmo isso não sendo da minha conta, eu fico bem puta. Porque eu não quero viver em um mundo onde ninguém tem uma porra de uma personalidade.

– Oh. Wow. – Sorri irônica para o comentário de Dan. Depois de todo o meu desabafo, é isso que ele me responde? – Eu ando meio cansado também. Sério, o que tem demais nesse cabelonho de lado? – Ri.

– É verdade. – Chegamos finalmente a loja de bolo. Procurei as chaves em meu bolso.

– Quer bolo? – Perguntei girando a chave na fechadura.

– E você acha mesmo que eu ia recusar? – Sorri e abri a porta para ele. Fui até o forno onde minha mãe disse que tinha deixado um bolo se eu estivesse com fome. Cortei dois pedaços relativamente grandes e levei para mesa.

– Nossa. Esse bolo compete com o da minha mãe, viu. – Dan sorriu.

– Claro que sim. Minha mãe é especialista. – Dan abriu a boca, apontando para o peito e mostrando indignação.

– Você está insultando os bolos da minha mãe?

– Claro que sim! – Gargalhei. Em um gesto rápido, Dan me pegou pela cintura, me fazendo cosquinhas. Me joguei no chão, implorando para ele que parasse. Ele gargalhava junto comigo.

– Pede penico! – Ele gritou.

– Tá, que seja. – Tentei falar em meio as risadas. Provavelmente ele entedeu algo como: TÁAHAHHAHAHAA QUEHEHAHHAH SEHAHAHHAJAHAHAHHA. É.

– Isso não é pedir penico.

– PENICO, PORRA! – Com uma gargalhada final e triunfante, Dan saiu de cima de mim.

Mas eu não ia deixar assim. Ha-ha. Não ia. Peguei um pedaço de bolo e joguei nele, sem dó alguma. Ele, indignado, jogou um pedaço em mim também. E, em um piscar de olhos, aquele lugar tinha virado uma bagunça.

Me joguei no chão, meu cabelo e minhas roupas praticamente cobertas de chocolate. Ele sentou ao meu lado, e nós dois riamos e ofegávamos. Todas as paredes que eram impecavelmente branquinhas estavam cheias de calda de chocolate e pedaços de bolo. Minha mãe ia me esquartejar.

– Ah, mas você vai me ajudar a arrumar isso daqui. Você sabe né?

– Eu não, isso é trabalho de mulher. – Cerrei os olhos e trinquei os dentes. Peguei seu braço e comecei a beliscar. Dan começou a fazer inúmeras caretas de dor.

– Tá, tá, TÁ! Eu te ajudo. EU TE AJUDO! – Sorri e soltei seu braço.

– Bom.

– Violenta.

– Idiota. Vamos começar.

Limpamos tudo rápido. Foi divertido, de algum jeito. Quando acabamos todo o trabalho, Dan ofereceu uma caminhada na rua. Fomos nós então.Quando saímos, o frio estava insuportável. Eu sentia o vento gelado fazendo meu nariz ficar vermelho e entrando em minha blusa.

– Frio. – Resmunguei, apertando meus braços contra meu corpo.

– Aw, vem cá Rafa. – Ele me abraçou e nós continuamos andando. – Preciso te contar uma coisa. – Ele parou subitamente e o meu coração gelou.

– Manda.

– É só que… lembra quando te conheci? – Assenti. – Eu acho que eu gostei de você desde aquele momento e… – Olhos marejando. Droga. – E agora eu acho que o que eu sinto por você é anormal. – Abri a boca, mas ele pousou seus dedos sobre meus lábios. – Eu venho tentando te dizer isso a algum tempo, mas acho que agora eu ‘to pronto. – Ele suspirou fundo, fechando os olhos. – Eu te amo. – Estávamos a pouco centímetros de distância. Sorri, algumas lágrimas rolavam pelo meu rosto. Passei meu braço por seu pescoço.

– Você acabou de fazer uma menina apaixonada por você a mais feliz do mundo inteiro. – Dan limpou uma última lágrima que tinha caído com seu polegar e eu pude perceber que ele estava se segurando pra não chorar também.

– Sua vadia, você gostava de mim esse tempo todo e nunca me disse nada? – Suas mãos pousavam em minha cintura. Fiz uma cara de indignação.

– Vadia? Tá bom então, Daniel. – Desgrudei nossos corpos e saí andando em passos pequenos. De respente, senti uma mão me puxando de volta pela cintura.Voltei para os braços dele em um segundo.

– Eu te amo, te amo, te amo, te amo. – Ele sussurou em meu ouvido.

– Te amo muito, desgraçado. – Sussurei de volta. Então ele me beijou. O melhor beijo do mundo.

O melhor bolo de chocolate do mundo.

Anúncios

0 Responses to “O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: