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Painting.

Me apoiei no batente da porta branca e o observei. O que ele estava pintando? Eu não sabia. Eu não tinha como prestar atenção no que ele estava fazendo. Aliás, por que pensar nisso quando ele está lá? Andei vagarosamente, tentando não fazer barulho até ele. Como eu era sortuda. Passei os braços em volta de seu tronco e apoiei meu queixo em seu ombro.

‘Bom dia, meu principe.’ Senti ele sorrir. A essa altura do campeonato, eu não precisava mais olhar para ele na hora de saber sua expressão. Eu simplesmente sabia.

‘Bom dia, minha princesa.’ Ele virou para me dar um selinho demorado, e voltou a sua atenção ao quadro.

‘Vejamos… o que você pinta hoje?’ Ele olhou para mim e sorriu. Arqueei uma sombrancelha e me soltei dele, indo ao seu lado.  Segurei sua mão com força, e levei uma mão a boca, já com olhos marejados quando vi o que ele pintava. Era uma foto de nós dois. Eu estava olhando para ele e sorrindo, enquanto ele segurava meu rosto. Nossos rostos estavam a menos de 5 centímetros de distância. Como eu amava aquela foto.

Ele me virou para ficar de frente para ele. Eu já chorava. Alguém entende o que aquilo significava pra mim?

‘Eu te amo, minha princesa.’ Percebi que uma lágrima rolava em sua bochecha. ‘E  eu vou te amar pra sempre. Puxa, é engraçado como a gente sempre diz que as coisas vão ser pra sempre. E sabe quais são as duas únicas coisas que eu tenho certeza na minha vida?’ Eu neguei com a cabeça, aos soluços. ‘Que eu vou morrer um dia,’ Eu fiz uma careta e ele riu ‘e que eu te amo muito. Disso eu tenho a completa certeza.’ Resolvi falar alguma coisa. Existia homem igual aquele ou eu estava sonhando?

‘Provavelmente eu estou sonhando,’ ele fez uma cara de indignado e eu ri. ‘porque homem igual você não existe. Eu te amo muito, meu principe. Esse meu principe que nem de cavalo branco chegou,’ ele rolou os olhos ‘mas que é, com certeza, melhor do que de contos de fadas.’

‘Você quer que eu te mostre como não é um sonho?’ Ele sorriu, lindo. Assenti com a cabeça e ele me beijou.

Cap 1.

‘Tchau, Oliver. Brigada pela carona, de novo.’ Eu disse, tirando o cinto de segurança.

‘O que é isso Se, pode pedir sempre que precisar.’ Ele piscou um olho e eu ri. Oliver tinha me dado uma carona de volta da festa em que nós estávamos. Milagrosamente, eu e ele estávamos sóbrios. Oliver é meu melhor amigo desde que eu me conheço por gente, e eu acho que isso nunca vai mudar. Estaria completamente perdida sem ele.

Sai do carro e mandei um beijo no ar. Ele o pegou no ar e colocou no bolso, fazendo-me rir novamente. Acenei com a mão e andei em direção a porta de casa. Meti minha mão dentro da maxibolsa, a procura de minhas chaves. As coloquei na fechadura e abri a porta.

Entrei em casa sem cautela alguma, morava sozinha e não tinha ninguém em casa. Joguei minha bolsa do balcão de mármore da minha cozinha e fui pegar um copo d’água. Tinha sido uma longa e divertida noite, mas eu não tinha bebido. Tinha decidido pelo menos dessa vez voltar sóbria e consciente pra casa.

Olhei para a palma da minha mão e vi aquele número anotado, bufei. Por que raios eu tinha pego o número dele, sabendo que ele ia ser mais um prometendo ligar e não ligando? Coloquei meu copo na pia, resmungando um ‘eu lavo amanhã’ e subi as escadas correndo. Não via a hora de tirar os sapatos de salto alto, que já me matavam desde o começo da noite.